Antropologia pode ser definida, de modo geral, como o estudo dos seres humanos e da cultura humana. O Dicionário Aurélio assim a caracteriza: “Ciência que reúne várias disciplinas cujas finalidades comuns são descrever o homem e analisá-lo com base nas características biológicas (antropologia física) e culturais (antropologia cultural) dos grupos em que se distribui, dando ênfase, através das épocas, às diferenças e variações entre esses grupos”1

 

Romanos 1.14-16: Eu sou devedor, tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes. De modo que, quanto está em mim, estou pronto para anunciar o evangelho também a vós que estais em Roma.   Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego.

 

Apocalipse 5.9: E cantavam um cântico novo, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo e nação.

 

João 1.14: E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai.

 

I Coríntios 9.16-24: Pois, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, porque me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o Evangelho!

Se, pois, o faço de vontade própria, tenho recompensa; mas, se não é de vontade própria, estou apenas incumbido de uma mordomia. Logo, qual é a minha recompensa? É que, pregando o evangelho, eu o faça gratuitamente, para não usar em absoluto do meu direito no Evangelho. Pois, sendo livre de todos, fiz-me escravo de todos para ganhar o maior número possível: Fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se estivesse eu debaixo da lei (embora debaixo da lei não esteja), para ganhar os que estão debaixo da lei; para os que estão sem lei, como se estivesse sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo), para ganhar os que estão sem lei. Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns. Ora, tudo faço por causa do Evangelho, para dele tornar-me co-participante. Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só é que recebe o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis.

 

Se quisermos alcançar o homem, precisamos nos preparar para entender a sua cultura.

 

O que podemos ver em uma cultura é apenas o comportamento das pessoas. Tomando-se uma cebola como exemplo, o que vemos inicialmente é apenas a casca externa, ou seja, o comportamento. Mas por trás desta casca superficial há outras camadas internas, que são as crenças, os valores e a cosmovisão de um determinado grupo de pessoas2.

 

O comportamento é o que o individuo faz, suas atitudes visíveis. Os valores definem o que é bom, ou melhor. As crenças justificam o que é verdadeiro e, no cerne da compreensão que o indivíduo tem do mundo, está a cosmovisão, que define o que é real.

 

Estas outras camadas que não vemos à primeira vista estão por trás do comportamento, por isto demandam um maior tempo e preparo para ser compreendidas.

 

 

 

 

Vejamos alguns fatos:

 

Alimento:

Cada cultura tem o seu alimento como o melhor do mundo. Isto não exclui os brasileiros. A feijoada, um prato típico dos escravos, se tornou popular no Brasil. Os portugueses não comiam feijão e miúdos dos animais, tais como: orelhas, rabo e pés de porco, língua de vaca etc. e os davam aos escravos, que colocavam tudo numa grande panela. Esta mistura acabou tornando-se um delicioso prato nacional.

 

Algumas vezes dizemos que os missionários comem qualquer coisa. Isto é, pensamos que as outras comidas não são boas. A globalização está acabando com este conceito. Nos dias atuais a comida chinesa, indiana e árabe são populares no Brasil. No sudeste, o restaurante Habib´s é mais popular que o McDonald´s. Isto foi devido à influência dos árabes em nossa pátria, pois temos mais libaneses no Brasil do que libaneses no Líbano.

 

A disposição dos alimentos a ser servidos varia conforme a cultura. Alguns colocam todo o alimento em uma só vasilha (árabes, indianos, berberes e outros), outros servem porções individuais (ocidentais, coreanos e outros). Algumas culturas usam mesas com altura de 1,20m (ocidente), 50 cm (coreanos) e outras colocam o alimento no chão (árabes).

 

A forma de comer também varia. Alguns comem usando garfo e faca, outros somente garfos ou colheres, enquanto outros usam palitos e alguns, somente as mãos. Mesmo entre os que comem com palitos existe diferença, pois os chineses e japoneses usam palitos de madeira e os coreanos usam palitos de metal.

 

Sabores também podem ser diferentes. Em alguns lugares, come-se com muitos condimentos, sal e/ou muito açúcar, enquanto em outros lugares, come-se sem os mesmos. Na Inglaterra, a maioria usa os alimentos quase sem condimentos e o argumento é que querem sentir o sabor do alimento. Já imaginou uma comida sem sal, cebola, alho ou outro condimento?

 

Na maioria dos países asiáticos se faz três refeições diárias: manhã, tarde e noite. Os horários e o que se come em cada refeição variam conforme a região. Na hora do almoço na Grã-Bretanha se come apenas um “lanchinho” (normalmente são fatias de pão de forma, com queijos ralados, algumas rodelas de tomate e pepino). O café da manhã para os britânicos é normalmente um chá e cereais, enquanto a maioria dos norte-americanos tem um café bem reforçado, com bacon, ovos, pães, panquecas etc.

 

Formas de comer uma mesma comida também variam. No Brasil comemos abacate com açúcar, ou vitamina de abacate, enquanto em outros países o mesmo é comido com sal, isto é, como salada.

Na Índia e no México é comum comer pimenta desde a infância, como balinhas apimentadas para os bebês. Pimentas secas se comem com frutas. Já imaginou côco com pimenta? Manga com pimenta? No México tem “chuquinhas” com doce apimentado.

 

Conhecemos um exemplo clássico: Na Coréia do Sul e China, cachorros são criados em granjas, próprios para alimentação. Quantos têm coragem de comer um cachorrinho de granja, bem cuidado, vacinado, tratado somente com ração? Achamos um absurdo tal idéia, mas apreciamos um franguinho caipira (os do sudeste) ou galinha de capoeira (os nordestinos), ou mesmo um porquinho criado solto. Nunca imaginamos o que estes animais comem! Se alguém fizesse um documentário e nos mostrasse o que eles comem, ficaríamos estarrecidos quando se destacasse “aquilo” que eles comem. Não atinamos para os casos de pessoas com vermes ou taenia solium no cérebro adquirido da carne suína. O que um técnico alimentício comeria? Afinal de contas, qual é mais higiênico: o cachorrinho de granja ou o porquinho criado solto?

 

 

 

Tempo:

Na Alemanha o tempo é preciso, conforme mostra o relógio. No Brasil isto depende da região. Em algumas regiões do Brasil as pessoas são mais voltadas para eventos do que propriamente para tempo. Em alguns países africanos, os cultos chegam a ter duração de 6 a 8 horas. Quando um líder marca um horário, o liderado deve chegar no horário e o líder deve chegar meia hora depois, para mostrar a importância da sua posição/status. Chegar a uma reunião atrasado na Alemanha ou Grã-Bretanha é falta de responsabilidade e respeito, enquanto na América Latina e África é uma coisa muito natural.

 

Higiene:

Em muitos países da Europa, é comum as pessoas utilizarem toalhas umedecidas para higienização pessoal. Após o uso do papel higiênico, jogam-no no vaso sanitário, pois o encanamento é apropriado para isto. Quando eles vêem nosso sistema, acham muito estranho. Em vários países da África, Ásia e Oriente Médio o papel higiênico é substituído pela usual “chaleirinha com água” e pela mão esquerda. Interessante que em outros lugares onde este costume não é mais praticado, ainda assim as pessoas não se cumprimentam com a mão esquerda, por terem a impressão de que ela é impura. Em muitos países da América do Sul, existem as habituais rodas de tererê ou de mate. Estas são bebidas tomadas em um tipo de copo chamado “guampa” com um canudinho (“bombilla”), que são compartilhados por todos na roda. No sul do Brasil, o mesmo acontece com o chimarrão.

 

 

Vestimentas:

No Ocidente, é muito comum o uso do paletó e gravata ou jeans e camiseta. Mesmo no paletó, elementos sem aplicação atual são considerados normais, como o uso de três botões na manga ou então um corte vertical nas costas. Os tuaregues, povo semi-nômade que vive no deserto, no Oeste Africano, veste-se normalmente com uma roupa escura e com um grande turbante sobre todo o rosto, mesmo a uma temperatura normal de 40º. O tipo e a cor do tecido favorecem a permanência da temperatura do corpo, além de dar proteção contra os raios solares e tempestades de areia. Em diversas tribos indígenas no Brasil, a nudez é algo natural.

 

Cores:

Uma grande parte dos grupos etno-lingüísticos da selva peruana reconhecem apenas quatro ou cinco cores. Os Dani, de Irian Jaya, somente discernem duas cores, o preto e o branco. Norte-americanos distinguem mais cores que os brasileiros, pois possuem nomes específicos para pequenas variações de tonalidades. O computador identifica milhares de cores que os olhos humanos não são capazes de discernir.

 

Gestos:

O gesto que nos Estados Unidos significa OK, feito unindo os dedos indicador e polegar e deixando os outros três esticados, no Brasil significa um palavrão. Na Inglaterra, se você levanta os seus dedos indicador e médio com a palma da mão voltada para si mesmo, isso é considerado um insulto. No Oriente Médio, mostrar a sola do pé é sinal de ofensa. Enquanto em algumas culturas, deve-se olhar no olho para demonstrar atenção, em outras, como no mundo muçulmano, a mulher não pode olhar diretamente nos olhos de um homem, pois isso poderia dar a entender que ela está se insinuando ou sendo insubmissa. Neste mesmo tipo de cultura, homens sentam-se no colo uns dos outros e andam de mãos dadas como sinal de amizade. Na Venezuela, muitas vezes, ao invés de usar-se o dedo para apontar, usa-se os lábios. O arroto, que para nós é uma tremenda falta de educação, em muitas culturas (como no Marrocos) tem um significado totalmente oposto, pois é uma demonstração de que se está satisfeito com a comida, o que o torna obrigatório, um gesto de boa educação.

 

 

Cumprimentos:

O que no Brasil é considerado um cumprimento caloroso, como um abraço e beijos no rosto, na Europa é considerado uma quebra de compostura, pois um cumprimento educado limita-se a um aperto de mão a uma certa distância. Até mesmo com relação à conversa, a distância mantida é diferente entre árabes, latinos ou ingleses. Na cultura árabe, o cumprimento é mais demorado, com diversos beijos no rosto entre pessoas do mesmo sexo. Ao se beijarem, perguntam um ao outro como vai a família, o trabalho, o gado, etc, mesmo não tendo real interesse pelo assunto e não esperando uma resposta. Já na Rússia, o beijo entre homens não limita-se ao rosto, pois eles se cumprimentam com um leve beijo nos lábios. Nos países asiáticos, as pessoas não se cumprimentam pegando nas mãos, mas se curvando em sinal de respeito. Em certa tribo africana há o costume de cuspirem uns no peito dos outros, pois os homens andam de peitos descobertos.

 

Valores:

Para os muçulmanos, deixar seu livro sagrado no chão significa falta de respeito. Cabelo grande para as mulheres nas igrejas pentecostais no Brasil significa beleza e santidade. Barba na Índia e Oriente Médio significa honra, respeito e beleza, assim como na cultura judaica relatada na Bíblia; já em algumas igrejas brasileiras a barba não é aceita. As mulheres do Oriente Médio e de diversos países africanos pintam os pés e mãos com henna como expressão de beleza.

 

Expressão:

No Brasil, o que dizemos pode não ser o real. Quando estamos com fome e vamos visitar uma família e nos oferecem uma refeição, nossa resposta inicial é “não precisa” ou “não precisava”, mas depois de algumas insistências aceitamos; isso não se limita apenas à oferta de comida, mas é válido quando recebemos um presente ou qualquer outra coisa também. Quando alguém está em nossa casa e já é tarde, mesmo que estejamos cansados e a pessoa diz que vai se retirar, dizemos que é cedo, mas esta, na realidade, é a forma de dizermos que pode ir embora. Em outras nações, se a pessoa está com fome e lhe é oferecida uma refeição ela aceita imediatamente, ou quando alguém diz que vai embora, a primeira reação é se dirigir à porta e abri-la na frente da pessoa para que ela se retire.

 

Forma de Orar:

Na China se acredita que os cristãos adoravam a cadeira, pois oravam debruçados nas cadeiras. Os britânicos têm o costume de orar em silêncio, andando e com os olhos abertos. Muitas vezes isto causa constrangimento aos brasileiros que convivem com eles, pois estes normalmente oram com voz elevada, em forma de clamor. Ao orar no Muro das Lamentações, os Judeus encostam sua testa repetidas vezes na parede.

Segundo um dos pilares do Islamismo – “salat”, os muçulmanos precisam orar cinco vezes ao dia. As orações são feitas em um tapete em direção à cidade sagrada do Islã, Meca. Precisam realizar um processo de purificação (ablução) antes de orar nas mesquitas, onde lavam as mãos, a boca, o interior do nariz, o rosto, os antebraços, passam a água nos cabelos e lavam os ouvidos e os pés. Oram repetidas vezes com frases mecânicas e citações do Alcorão.

 

 

 

1.          Definição: LACERDA, C.A. / GEIGER, P. (eds.), Dicionário Aurélio Eletrônico, versão 2.0, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1996, verbete Antropologia.

2.          Lloyd E. Kwast – Missões Transculturais: Uma Perspectiva Transcultural. Pág. 440

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